quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Invisibilidade social: outra forma de preconceito

Mateus Constantino

Ser invisível é sofrer a indiferença, é não ter importância. Essa maneira de discriminação está cada vez mais inserida na sociedade.

Vivian Fernanda Garcia da Costa
Mateus de Lucca Constantino


A invisibilidade social é um conceito aplicado a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença ou pelo preconceito. No livro “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social”, o psicólogo Fernando Braga da Costa conseguiu comprovar a existência da invisibilidade pública, por meio de uma mudança de personalidade. Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari na Universidade de São Paulo. Segundo ele, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Há vários fatores que podem contribuir para que essa invisibilidade ocorra: sociais, culturais, econômicos e estéticos. De acordo com psicólogo Samuel Gachet a invisibilidade pode levar a processos depressivos, de abandono e de aceitação da condição de “ninguém”, mas também pode levar a mobilização e organização da minoria discriminada.

Massa invisível


Um dos principais causadores da invisibilidade é a questão econômica. “O sistema capitalista sobrevive sob a lei do mais valia, na qual para que um ganhe é imediatamente necessário que outro perca. Desse modo a população de baixa renda é vista como um vasto mercado consumidor, e essa é sua única forma de visibilidade”, explica Gachet.

Para a universitária Sabrina Ribeiro Rodrigues a invisibilid
ade não só é provocada pelo fator econômico. “A educação familiar é determinante para a maneira como as pessoas tratam o outro”, completa. A bibliotecária Marlene Araújo acrescenta ainda que existe preconceito com as pessoas que não estão adequadas aos padrões de beleza. “Se fosse loira, alta e de olhos claros, com certeza me tratariam de outra maneira”, ressalta.
“Para mim o fator econômico não é o principal causador da invisibilidade social, e sim o status que adquirimos diante da sociedade. Se um professor de uma faculdade particular aqui do Brasil estiver em uma faculdade renomada como a de Harvard também se sentirá invisível”, explica a universitária Vanessa Evangelista.
Segundo Gachet o preconceito que gera invisibilidade se estende a tudo o que está fora dos padrões de vida das classes hierarquicamente superiores. Muitos são os indivíduos que sofrem com a invisibilidade social, como por exemplo, profissionais do sexo, pedintes, usuários de drogas, trabalhadores rurais, portadores de necessidades especiais e homossexuais.

Conseqüências

A invisibilidade social provoca sentimentos de desprezo e humilhação em indivíduos que com ela convivem. De acordo com Gachet ser invisível pode levar as pessoas a processos depressivos. “‘Aparecer’ é ser importante para a espécie humana, ser valorizado de alguma forma é parte integrante de nossa passagem pela vida, temos que ser alguém, um bom profissional, um bom estudante, um bom pai, uma boa mãe, enfim, desempenhar com louvor algum papel social”, diz.
Outra conseqüência dessa invisibilidade é a mobilização dos “invisíveis”, grupos de pessoas que se juntam para conseguir “aparecer” perante a sociedade. Muitos são os exemplos desses grupos: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra), a Central Única de Favelas (CUFA), fóruns nacionais, estaduais e municipais de defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Esses grupos também podem ser encontrados no crime organizado, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
A invisibilidade social já está cotidianamente estabelecida e a sociedade acostumou-se a ela, passar por um pedinte na rua ou observar uma criança “cheirando cola” em uma esquina é algo corriqueiro na vida social, segundo Gachet aceitar isso é violar os direitos humanos. “É preciso não só ver esses invisíveis, mas é preciso olhar para eles e sentir junto com eles, é preciso ‘colocar óculos em toda humanidade’”, finaliza.


Nesta corrida que vivemos no dia-dia muitos não se deu conta de pessoas que às vezes passamos constantemente. Um exemplo disto é quando entramos em um ônibus, poucos reconhecem aquelas pessoas (motorista e cobrador), que dificilmente recebem bom dia, boa tarde ou boa noite e frequentemente são lembrados somente quando é necessário reclamar ou necessitam de ajuda. Quis mostrar neste exemplo que quantas oportunidades perdemos diariamente de fomentar e/ou experimentar mudanças, não podemos negar que o outro existe, que é real, que ele também é um ser em humano em relação.

Paula

14 comentários:

  1. Todos temos nossos valores na sociedade, como viveriamos sem alguem que limpasse nossas ruas, recolhecem nossos lixos. Seria um caus constante devemos em primeiro lugar dar valor a nossa dignidade e valorizar nosso trabalho seje ele qual for dentro da nossa honestidade.

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  2. Oi galera!
    Bacana o post de vocês. A invisibilidade social é um problema seríssimo. Eu estou fazendo meu trabalho de prática exatamente sobre isso. Então tive que fazer algumas observações... E realmente, podemos constatar que algumas formas de trabalho ainda se passam despercebidas, assim como alguns trabalhadores. Acho que a palavra exata nem seria ''despercebida'', mas ignorada.
    As pessoas não dão valor e atenção a cargos que elas consideram mais abaixo que o delas, é uma grande hierarquização ridícula. As pessoas não tem consciência de que tudo isso funciona como um todo... Cada pessoa deve fazer alguma coisa para que a grande máquina da sociedade funcione, imagina se os lixeiros um dia resolvem parar de trabalhar? Imagina se os onibus param de rodar? E se os limpadores de rua parassem de limpar? As cidades virariam um caos. Cada um tem sua importancia para a sociedade.
    Mas infelizmente esses trabalhadores esses tipos de trabalhos não são valorizados, e muitas vezes ignoradas, excluidas...

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  3. Muito boa sua publicação.
    Trabalho no comércio e me deparo todos os dias com situações relatadas na sua postagem, isso me fez recordar de uma repórter que se vestiu de gari e foi para as ruas de Porto Alegre e o resultado, é que poucos se deram conta de quem era a pessoa por traz da vassoura.
    Invisibilidade? Não, preconceito mesmo.
    Paulo Renato S. Mattos

    Adorei o Blog!!!

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  4. A invisibilidade social é um fenômeno que gera muito sofrimento em quem é ignorado, como no exemplo do documentário do ônibus 174.
    Ela é produzida pelo discurso do trabalho o qual apenas algumas profissões são valorizadas, muito diretamente influenciado pelo sistema econômico. Por isso, tem sua origem em todos nós. Como no exemplo da Paula, por vezes nem cumprimentamos aquele sujeito que está prestando um serviço a nós e a nossa sociedade. É como se ele não existisse...
    Carine Capra Ramos

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  5. Com este relato podemos constatar como a relação entre pessoas pode ser enfraquecida. Em meio estas diversas atividades diárias não nos damos conta para este fato.
    Livia

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  6. Nem todos cidadões são assim, eu por exemplo, costumo dar bom dia para o motorista e o cobrador do ônibus que pego.
    Para mim não são invisíveis.
    Rodrigo

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  7. Viviane, tem razão cada um tem seu papel na sociedade e não devemos desvalorizar nenhum. Não podemos esquecer que independente da profissão são seres humanos em relação que estão contribuindo com sua parte.

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  8. Gabriel, primeiramente obrigada por comentar nosso blog. Achei interessante sua lembrança do caos que seria se estes trabalhadores resolvessem parar, talvez somente assim não seriam invisiveis e com isso perceberiam a importância dessa classe trabalhadora para a sociedade.

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  9. Paulo, primeiramente obrigada por comentar nosso blog. O teu relato nos mostra que mesmo uma pessoa pública, se vestindo de gari passou despercebida. Isto prova o quanto a sociedade ignora os profissionais que trabalham em atividades consideradas inferiores. É bom salientar que toda categoria de trabalho tem seu papel no desenvolvimento do nosso país, por isso não existe inferiores e superiores.

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  10. Acho que muitas pessoas passam despercebidas e invisíveis no nosso dia-a-dia, principalmente os moradores de rua, fico impressionada como as pessoas passam por eles diariamente e simplesmente as ignoram como se fossem uma pessoa sem valor, não merecedora de respeito. Isso gera muito sofrimento para quem é ignorado. Acho que poderíamos olhar mais pra essas pessoas, valoriza-las porque são seres humanos como nós, mas que infelizmente estão em uma situação muito precária e triste. Parabéns pelo post Paulinha

    Marina Alvez

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  11. Carine, obrigada pela colaboração. Este sofrimento que comentou, gera muitas marcas principalmente os trabalhadores que não gostam de suas funções e algumas destas pessoas assumem este papel de inviibilidade por já estarem habitudos com a produção do discurso do trabalho.

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  12. Realmente Livia, a sociedade ultimamente tem se tormando cada vez mais individualista e com isto impobrece as relações entre as pessoas e como a maioria está sempre correndo não conseguem se dar conta das pessoas que muitas vezes passamos todos os dias.
    Obrigada pelo comentário.

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  13. Rodrigo, primeiramente obrigada pelo comentário. Tem razão quando diz que nem todos tratam os cobradores e motoristas como invisivéis o que me refiro, que em muitas situaçães somente são lembrados quando precisam de uma informação ou para reclamar de um atraso e dificilmente para elogios, fora isto nem olham para o rosto destes trabalhadores.

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  14. Marina, muitas pessoas querem distância dos moradores de rua, alguns por temor e outros por preconceito. Mas se esquecem que são seres humanos em relação e estão ali precisando de ajuda. Desde já agradeço seu comentário.

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